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1446 - 2007 História da Guiné |
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1897 - A batalha de Bambaiá-Giudu - 29/03/1897
Transcrevemos a seguir algumas passagens do livro "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936), René Pélissier, Editorial Estampa, 2001, que dão uma explicação do que foi esta batalha, embora tenhamos a lamentar a má qualidade da tradução.
"Para a história, o que importa é que começa em Fevereiro de 1897 a primeira chamada guerra de Oio, e que é conduzida contra os Mandingas não islamizados - os Soninquês - pelos Portugueses que os agridem. ... Graça Falcão efectuou já uma misteriosa penetração militar no Oio, de carácter provavelmente fiscal durante o Verão de 1896. Surpreendidos pelos quatro mil auxiliares reunidos no Geba, sob a autoridade de Unfali Soncó, régulo Biafada em Sambel Nhanta, tendo sucedido a Galona, os Soninquês - e provavelmente as aldeias fulas que vivem entre eles - pagam uma multa mas, de facto, a sua submissão é fictícia e procuram ganhar tempo. ... Avisado pelos grandes de Mansabá, de que os Soninquês querem mata-lo, segue acompanhadopor uma parte da guarnição de Farim e por uma metralhadora. Depois de ter resolvido este litígio predial, marcha até Morés, ponto alto da guerra de libertação (1963-1974), onde os Soninquês esmagam com taxas, os Mandingas muçulmanos que vêm colher borracha. Também ai resolve o diferendo reforçado por auxiliares.
Notar-se-á que é possível comprar pólvora no sertão, existindo feitorias em certas aldeias (uma em Mabarro ou talvez Mabar), mas, pesando as ameaças no seu avanço, manda chamar Unfali Son´có a Sambel Nhanta.
Este, sob diversos pretextos, abster-se-à de vir prestar-lhe auxílio.
Acantonado em Mabarro, Graça Falcão manda vir de Farim o canhão Krupp e munições, passa depois o rio Olossato.
Dispara um tiro de aviso contra a aldeia de Mindodo, a 2 de Fevereiro.
Está ali no coração do Oio, habitado por Soninquês cujas alianças, de aldeia para aldeia, parecem ser ditadas pelas circunstâncias.
Perante as granadas, os aldeões de Mindodo fogem, mas os seus auxiliares mandingas (perto de oitocentos), disparam pelas costas e matam dois soldados.
Ele mesmo é ferido com as próprias balas que comprara e distribuíra pelos seus auxiliares, enquanto a metralhadora e a peça se encravam. Retira para Farim, abandonando-as. ... Graça Falcão pede, pois, socorros a Farim, porque é partidário de um castigo exemplar do Oio, não obstante as delegações de Soninquês, que se declaram prontos a restituir a artilharia e a pagar o imposto. ... De Geba parte a 8 de Março, uma coluna do leste: 29 soldados, duas peças e cerca de 3.000 (?)auxiliares comandados pelo tenente António Caetano e pelos chefes fula Mamadu Paté (Coiada?) - portanto inimigo no Forria, em Outubro de 1895 -, e o Biafada, Unfali Soncó.
Entretanto, os vapores bombardeiam algumas aldeias da margem direita do rio Farim, inclusivamente nos arredores do presídio.
De Farim, Graça Falcão e os seus homens seguiram rio acima para Canjambari, a fim de se unirem aos reforços de Geba, è visado Gimbu, que é tomada, a 25 ou 26 de Março, sem sequer disparar um tiro, porque os habitantes não querem guerra.
As duas alas da expedição fizeram já a sua junção e compreende-se que nenhuma tabanca possa esperar, a pé firme, esta massa a qual, se os números não foram empolados, teria atingido cem soldados regulares, 4.000 (?) auxiliares do Geba, 3.000 (?) homens de Mamadu Paté (Coiada), 246 de Unfali Soncó, 2.000 de Farim, mais enviados de Mussa Molo e de outras proveniências, como Casamansa e mesmo da Gambia.
A maioria tem espingardas Snyder e Enfield; uma metralhadora e dois canhões acompanham esta corte.
Tudo vai bem para os Portugueses no Gindu mas, a 29 de Março ao descerem ao Gússará, ao norte da pista entre Mansabá e Geba, os Portugueses são cercados.
Estamos não no centro do Oio, mas a leste em pleno país mandinga, invadido pelo inimigo de raça: o Fula. E é ali que o machado cai.
Vindo de Gindu em três corpos, os auxiliares são comandados por Mamadu Paté (Coiada) (auxiliares da margem esquerda do rio Geba), Unfali Sonsó (grumetes de Geba e Farim, Fulas e Mandingas de Farim, Biafadas e gente de Mussa Molo!) e o régulo do Corlá (Fulas da margem direita do Geba).
A força regular está no centro com a artilharia.
Ao aproximar-se de Bambalá, aldeia do Gussará, povoada por Mandingas islamizados, os regulares caem na emboscada preparada por 5.000 ou 12.000 Soninquês, talvez juntamente com Balantas.
No meio de um bosque, os Portugueses aperceberam-se de que quase todos os seus auxiliares desertaram em massa, com a pólvora, as cargas e as munições e que, bem pior, os Biafadas disparavam contra aqueles que ficavam com os Portugueses.
Incontestavelmente, houve traição, a 29 de Março de 1897 e, cerca de um século depois, ainda não sabemos por que razão Unfali Soncó se passou para os Soninquês e atacou os Portugueses.
O que é claro é que, Graça Falcão, ao cabo de algumas horas de fogo intermitente, se vê apenas com 150 soldados e auxiliares e poucas munições. Decide então retirar em direcção a Gindu e ali chega, em boa ordem, após cinco horas de marcha. Mas em Gindu é impossível manter-se.
Os Soninquês lançam fogo ao mato. Abandona, portanto, a metralhadora e os dois canhões. dois dos três oficiais (entre os quais o comandante) são feridos e os homens, esgotados e com falta de munições começam a debandar e partem com os últimos Fulas.
Três horas de marcha suplementares em direcção ao alto rio (mudando o rio Farim de nome e passando a chamar-se rio Canjambari) anunciam o fim.
Subsistem dez soldados e vinte Mandingas e Fulas.
Um oficial, depois o próprio Graça Falcão, pedem que os abandonem, a fim de permitir que outros se salvem.
Os Soninquês caem então sobre os fugitivos, mas Graça Falcão, por uma inesperada sorte, consegue esconder-se numa toca de porco-espinho e, ao fim de trinta e seis horas de marcha, chegará a uma tabanca amiga, de onde alcançará Farim. Quanto aos outros ...
...
Os ensinamentos que se podem retirar desta guerra luso-mandinga são múltiplos para os Portugueses. Sublinharemos apenas um: o perigo inerente ao emprego dos auxiliares. Nunca eles foram tão numerosos: provavelmente 9.000 a 10.000 - o dobro da França em 1886 -, o que faz da chamada batalha de Bambaiá-Gindu (29 de Março de 1897), uma das mais importantes alguma vez travadas (se assim se pode dizer), na Guiné pelos Portuguesas, desde o começo dos tempos. ..."
Publicado em 21/05/2006, e revisto em 01/06/2007 por Carlos Fortunato Transcrição de passagens do livro "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936), René Pélissier, Editorial Estampa, 2001 (1) Fotos de Carlos Fortunato
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
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